OM: Sílaba Sagrada e Origem do Universo

Por José Luiz Dias Siqueira

Muitos sábios de antigas civilizações acreditavam que toda matéria se compõe de uma energia básica: a vibração. Atualmente, as descobertas mais recentes da Física voltam-se para a mesma ideia. A partir deste princípio, os antigos sustentavam que uma única vibração fundamental diferenciou-se em diversas vibrações diferentes, gerando tudo o que existe no universo.

Os sons são produzidos a partir das vibrações dos objetos, o que levou alguns sábios indianos ao conceito de “Nada Brahma”, que pode ser entendido como: “toda a criação, todo o Universo é som”. Assim, a tradição indiana sustenta que os sons audíveis são meros reflexos, no mundo da matéria, dos sons cósmicos, que deram origem a tudo o que existe.

Neste contexto, uma sílaba em específico adquire importância capital. OM, a sílaba sagrada, é considerada a força natural básica inerente a todos os fenômenos da natureza e através do qual derivam todas as outras forças. Estudiosos indianos ao longo dos séculos sustentam que OM é o som através do qual foi criado o universo inteiro. Além disso, é o responsável pela sustentação do cosmos e a causa de sua dissolução.

Através da proferição desta sílaba, consegue-se ressoar a gênese do mundo. Assim, a cada vez que entoamos OM em uma aula de Yoga estamos espelhando a criação do universo. Afirma-se que quando pronunciada corretamente, esta sílaba tem o poder de afinar o indivíduo pelo próprio tom celestial: a vibração fundamental que gerou tudo o que existe.

Na prática de Yoga, a meditação no OM, através de sua repetição (japa), mentalização (manasika) ou a vizualização de sua forma (yantra), leva o indivíduo à realização do sutil, ao encontro da realidade absoluta. Swami Sivananda Sarasvati, citando as upanishads, diz “OM é o arco, o espírito é a seta e Brahman é o alvo”.

Na realidade, OM é constituído por três sons: A, U e M. No primeiro som, A, abrimos totalmente a boca; logo depois, a cavidade bucal vai diminuindo até a vogal U e por fim, fecha-se completamente em M. Portanto, AUM compreende todo o espaço de ressonância que usamos para falar. Mais do que isso, AUM representa todo o fenômeno de produção do som, ou seja, abarca todos os sons possíveis.

Além de constituir esta totalidade, cada letra que constitui OM tem diversas outras representações. Quanto às divindades, A representa Brahma,  U é Vishnu e M Shiva. Já em relação ao estado mental, A é vigília, U sonho e M sono profundo. Quanto ao tempo, A é o passado, U o presente e M o futuro.

Diversas correntes filosóficas e práticas religiosas e meditativas utilizam-se dos poderes de OM. No Tantra, OM é a sílaba mística graças a qual o homem pode entrar em contato com a realidade suprema. Nos rituais budistas, também profere-se a sílaba sagrada. Segundo Lama Govinda, OM abre o ser interior do homem para as vibrações de uma realidade superior, pois trata-se de um meio para demolir os muros do ego.

Por fim, termino este artigo com uma citação do Upanishad Mandukya, que expressa toda a magnitude de OM: “A sílaba OM, que é o imperecível Brahma é o universo. O que quer que tenha existido, o que quer que exista, o que quer que venha a existir é OM”.

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