Meditação: O Eu Consciente

Por Juliana Hernandes Correa

A meditação é uma prática muito antiga, não se sabe em que época ela foi inventada, ou descoberta. Para o autor Johnson (1990) a meditação foi desenvolvida em um longo período de tempo pela humanidade, e por isso a meditação é tão antiga quanto ela.

Johnson, citado por Cardoso (1990), em seu livro Do Xamanismo à Ciência. Uma história da meditação apresentou amplo levantamento histórico sobre o tema, encontrando descrições precoces do método, tanto em textos taoístas quanto em textos hindus.

Na China, por volta de 300 a.C., a literatura taoísta, com mestres como Lao-Tzu e Chuang-Tzu, já expunha exercícios meditativos, de forma sistematizada. A literatura mística do norte da Índia, entre 1500 e 1000 a.C., também já apresentava técnicas de meditação.

Danucalov; Simões (2006) afirma que a palavra meditação vem do Latim, meditare, e significa ir para o centro, no sentido de desligar-se do mundo exterior e voltar à atenção para dentro de si. Meditação em sânscrito é Dhyāna que significa “pensar ou refletir” é quando se mantém a consciência na atenção sem alterar ou oscilar a concentração. Ela também é entendida como estado de Samādhi que significa “êxtase”, promovendo uma dissolução da nossa identificação com o ego e total aprofundamento de nossos sentidos.

O Yoga tem uma separação didática quanto ao seu tipo de prática, são elas: Raja Yoga diz respeito às práticas de meditação e concentração; Bhakti Yoga são práticas de devoção a Deus; Jñana Yoga é o estudo, o conhecimento; Karma Yoga é a atitude correta ao agir; Hatha Yoga são os exercícios físicos propriamente ditos; Kundalini Yoga tem o objetivo de despertar a Kundalini; e Tantra Yoga . Hoje ainda estão se surgindo outras formas de fazer Yoga, mas o que interessa nesse trabalho é saber que a meditação se enquadra no Raja Yoga.

O Yogue Ramacháraca define Raja Yoga: “como um sistema de educação oculta por meio da concentração mental para o desenvolvimento das faculdades superiores do homem e de seus poderes latentes.” Ele acrescenta a importância da consciência do “eu” e da independência do “eu” em relação ao corpo. E pontua que a mente também não é o “eu”.  O “eu” é algo que transcende que faz parte da totalidade.

Portanto a meditação auxilia o controle da mente e proporciona a conexão com a totalidade, e liberta da sujeição à dualidade. Ela nos tráz de volta a conexão do eu com o divino.

Hermógenes (2009) afirma que a meditação vem proporcionar a anulação das sementes nefastas, e estas são os vásanas e os samskaras. Os vásanas são os desejos, as necessidades, tendências e motivações de cada ser humano; e samskaras são as impressões e conteúdos representativos. Este mesmo autor esclarece: “O que pensamos, sentimos e fazemos, tudo decorre de vásana e samskaras. Esses componentes de nosso ser profundo ali foram acumulados por nossas ações passadas.” Isso quer dizer que eles são responsáveis pelo sofrimento, pelas angustias e também pela felicidade,  e pela satisfação.

A prática pode se dar de diferentes formas, o que será discorrido a seguir, mas tem uma base que não pode ser alterada que é a imobilidade do corpo, não importa em que posição esteja, tem que ser uma posição confortável, com a coluna vertebral ereta mas que não haja movimentos com o corpo.

De Nuccio em seu curso intensivo sobre meditação afirma:

“A postura de meditação é a base da prática. A postura é o palácio que, uma vez construído, será visitado pelos reis da paz , do bem estar, da plenitude. Conquistar a postura é construir o templo no qual contemplaremos o Transcendente.”

E mais a frente: “É importante entender que a postura de meditação adequada é tão individual, nos detalhes, como uma impressão digital, porque cada corpo carrega uma história única.” O praticante pode experimentar diferentes posturas até achar uma que ele consiga ficar imóvel, relaxado, e confortável.

Após a identificação da postura, a prática pode se desenvolver de diferentes maneiras dependendo do autor estudado, elas também podem ser experimentadas de acordo com a necessidade de cada um.  Logo a seguir, há alguns exemplos de diferentes formas de meditar.

O Yogue Ramacharaca em seu livro Raja Yoga lições sobre o desenvolvimento mental discorre sobre dois tipos de exercícios. O primeiro é usando o mantra “Eu sou” como foco da meditação. E faz uma ressalva: “o Eu como uma entidade independente do corpo, imortal, invulnerável, real.” E conclui que a prática proporciona uma sensação de paz, força, e poder.

Pode haver variações, podem ser usadas outras frases que fazem sentindo para o praticante.

O segundo exercício consiste em dirigir a atenção para um objeto ou coisa, a qual chama a atenção do praticante, o Yogue Ramacharaca (p.70) ensina:

“No primeiro instante parece isto muito fácil, mas um pouco de prática mostrará como é difícil fixar a atenção firmemente e retê-la no objeto, porque a mente tem a tendência de flutuar e passar a um outro objeto, é necessária muita prática para poder fixá-la e retê-la no ponto desejado.”

Outra forma é deixar os pensamentos surgirem e não se identificar com eles.  Hermógenes (2009, p.420) afirma sobre este método:

“Transforme-se em mero expectador dos movimentos da mente. Deixe-a vagar. Deixe-a ir para onde entender. Seja um observador atento, mas sem inquietações, sem desejos, sem se sentir envergonhado ou orgulhoso do que for presenciado.”

Assim uns pensamentos vão e outros vêem e vão produzindo espaços de silêncio. O que importa é trazer a mente para aquilo que se decidiu focar, e após algum tempo e após algumas tentativas, poderá sentir a conexão com a totalidade e a verdadeira essência do ser.

Quando se está começando a praticar, algumas coisas podem ajudar a concentração – colocar uma música suave, acender um incenso, estar em lugar sem ruídos, mas não deve se deixar “condicionar” por estas coisas externas pensando que só poderá meditar se tiver um ambiente favorável para isto. A meditação pode acontecer também em outros lugares, basta aquietar o corpo e assim aquietar a mente, usufruindo dos exercícios relatados a cima.

Os benefícios da meditação para Hermógenes (2006) incluem alívio de cargas indesejáveis, purificar a mente, afrouxar tensões emocionais, e identificar-se com aquilo que transcende. Além de trazer autocontrole, equilíbrio, aumento da capacidade de concentração e melhora da qualidade do sono.

A meditação deve ser praticada todos os dias, os especialistas aconselham a meditar duas vezes por dia, vinte minutos pela manhã, e vinte minutos à noite claro que depende muito da rotina diária do praticante, e de descobrir qual é o melhor horário para esta prática. Não tem certo, nem errado. A única coisa certa é que não pode haver violência do “eu” para com o “eu”. Por exemplo, se é um sofrimento meditar pela manhã, não o faça; descubra qual é o melhor horário para você.

Há muitas pesquisas nessa área. A meditação é usada, por exemplo, em pacientes com doença crônica, e se vê uma melhora no quadro. A revista Saúde é Vital abordou um estudo que foi publicado no American Jornal of Cardiology que mostrou que a meditação diminuiu em 49% as mortes por câncer, 30% as decorrentes de problemas cardiovasculares e em 23% as doenças causadas por causas gerais. Os meditadores pesquisados meditavam duas vezes ao dia, todos os dias por vinte minutos.

Na prática da meditação, mas alguns cuidados devem ser tomados, por exemplo, entrar e sair da concentração lentamente, não violentar o seu corpo, exigindo ficar muito tempo em determinada postura e não se cobrar.

Pois com afirma De Nuccio: “meditar é estar consciente, amorosa e serenamente consciente.”

Referências Bibliográficas

CARDOSO, R. A origem e a história da meditação. 3 de fevereiro de 2009. Disponível em: http://www.redepsi.com.br/portal/modules/soapbox/article.php?articleID=513. Acesso em: 29 de julho de 2010.

DANUCALOV; SIMÕES. 2006. Disponível em: http://www.apanat.org.br/site/meditacao.  Acesso em 29 de julho de 2010.

DE NUCCIO, A. Curso intensivo de meditação as oito técnicas fundamentais.

HERMÓGENES, J. Yoga para nervosos aprenda a administrar seu estresse.44.ed.Rio de Janeiro: Nova Era.

RAMACHARACA. Raja Yoga Lições sobre o desenvolvimento mental. São Paulo: Editora Pensamento. 61p. a 77p.

Anúncios
Esse post foi publicado em Meditação e marcado , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s