Meditação: O Eu Consciente

Por Juliana Hernandes Correa

A meditação é uma prática muito antiga, não se sabe em que época ela foi inventada, ou descoberta. Para o autor Johnson (1990) a meditação foi desenvolvida em um longo período de tempo pela humanidade, e por isso a meditação é tão antiga quanto ela.

Johnson, citado por Cardoso (1990), em seu livro Do Xamanismo à Ciência. Uma história da meditação apresentou amplo levantamento histórico sobre o tema, encontrando descrições precoces do método, tanto em textos taoístas quanto em textos hindus.

Na China, por volta de 300 a.C., a literatura taoísta, com mestres como Lao-Tzu e Chuang-Tzu, já expunha exercícios meditativos, de forma sistematizada. A literatura mística do norte da Índia, entre 1500 e 1000 a.C., também já apresentava técnicas de meditação.

Danucalov; Simões (2006) afirma que a palavra meditação vem do Latim, meditare, e significa ir para o centro, no sentido de desligar-se do mundo exterior e voltar à atenção para dentro de si. Meditação em sânscrito é Dhyāna que significa “pensar ou refletir” é quando se mantém a consciência na atenção sem alterar ou oscilar a concentração. Ela também é entendida como estado de Samādhi que significa “êxtase”, promovendo uma dissolução da nossa identificação com o ego e total aprofundamento de nossos sentidos.

O Yoga tem uma separação didática quanto ao seu tipo de prática, são elas: Raja Yoga diz respeito às práticas de meditação e concentração; Bhakti Yoga são práticas de devoção a Deus; Jñana Yoga é o estudo, o conhecimento; Karma Yoga é a atitude correta ao agir; Hatha Yoga são os exercícios físicos propriamente ditos; Kundalini Yoga tem o objetivo de despertar a Kundalini; e Tantra Yoga . Hoje ainda estão se surgindo outras formas de fazer Yoga, mas o que interessa nesse trabalho é saber que a meditação se enquadra no Raja Yoga.

O Yogue Ramacháraca define Raja Yoga: “como um sistema de educação oculta por meio da concentração mental para o desenvolvimento das faculdades superiores do homem e de seus poderes latentes.” Ele acrescenta a importância da consciência do “eu” e da independência do “eu” em relação ao corpo. E pontua que a mente também não é o “eu”.  O “eu” é algo que transcende que faz parte da totalidade.

Portanto a meditação auxilia o controle da mente e proporciona a conexão com a totalidade, e liberta da sujeição à dualidade. Ela nos tráz de volta a conexão do eu com o divino.

Hermógenes (2009) afirma que a meditação vem proporcionar a anulação das sementes nefastas, e estas são os vásanas e os samskaras. Os vásanas são os desejos, as necessidades, tendências e motivações de cada ser humano; e samskaras são as impressões e conteúdos representativos. Este mesmo autor esclarece: “O que pensamos, sentimos e fazemos, tudo decorre de vásana e samskaras. Esses componentes de nosso ser profundo ali foram acumulados por nossas ações passadas.” Isso quer dizer que eles são responsáveis pelo sofrimento, pelas angustias e também pela felicidade,  e pela satisfação.

A prática pode se dar de diferentes formas, o que será discorrido a seguir, mas tem uma base que não pode ser alterada que é a imobilidade do corpo, não importa em que posição esteja, tem que ser uma posição confortável, com a coluna vertebral ereta mas que não haja movimentos com o corpo.

De Nuccio em seu curso intensivo sobre meditação afirma:

“A postura de meditação é a base da prática. A postura é o palácio que, uma vez construído, será visitado pelos reis da paz , do bem estar, da plenitude. Conquistar a postura é construir o templo no qual contemplaremos o Transcendente.”

E mais a frente: “É importante entender que a postura de meditação adequada é tão individual, nos detalhes, como uma impressão digital, porque cada corpo carrega uma história única.” O praticante pode experimentar diferentes posturas até achar uma que ele consiga ficar imóvel, relaxado, e confortável.

Após a identificação da postura, a prática pode se desenvolver de diferentes maneiras dependendo do autor estudado, elas também podem ser experimentadas de acordo com a necessidade de cada um.  Logo a seguir, há alguns exemplos de diferentes formas de meditar.

O Yogue Ramacharaca em seu livro Raja Yoga lições sobre o desenvolvimento mental discorre sobre dois tipos de exercícios. O primeiro é usando o mantra “Eu sou” como foco da meditação. E faz uma ressalva: “o Eu como uma entidade independente do corpo, imortal, invulnerável, real.” E conclui que a prática proporciona uma sensação de paz, força, e poder.

Pode haver variações, podem ser usadas outras frases que fazem sentindo para o praticante.

O segundo exercício consiste em dirigir a atenção para um objeto ou coisa, a qual chama a atenção do praticante, o Yogue Ramacharaca (p.70) ensina:

“No primeiro instante parece isto muito fácil, mas um pouco de prática mostrará como é difícil fixar a atenção firmemente e retê-la no objeto, porque a mente tem a tendência de flutuar e passar a um outro objeto, é necessária muita prática para poder fixá-la e retê-la no ponto desejado.”

Outra forma é deixar os pensamentos surgirem e não se identificar com eles.  Hermógenes (2009, p.420) afirma sobre este método:

“Transforme-se em mero expectador dos movimentos da mente. Deixe-a vagar. Deixe-a ir para onde entender. Seja um observador atento, mas sem inquietações, sem desejos, sem se sentir envergonhado ou orgulhoso do que for presenciado.”

Assim uns pensamentos vão e outros vêem e vão produzindo espaços de silêncio. O que importa é trazer a mente para aquilo que se decidiu focar, e após algum tempo e após algumas tentativas, poderá sentir a conexão com a totalidade e a verdadeira essência do ser.

Quando se está começando a praticar, algumas coisas podem ajudar a concentração – colocar uma música suave, acender um incenso, estar em lugar sem ruídos, mas não deve se deixar “condicionar” por estas coisas externas pensando que só poderá meditar se tiver um ambiente favorável para isto. A meditação pode acontecer também em outros lugares, basta aquietar o corpo e assim aquietar a mente, usufruindo dos exercícios relatados a cima.

Os benefícios da meditação para Hermógenes (2006) incluem alívio de cargas indesejáveis, purificar a mente, afrouxar tensões emocionais, e identificar-se com aquilo que transcende. Além de trazer autocontrole, equilíbrio, aumento da capacidade de concentração e melhora da qualidade do sono.

A meditação deve ser praticada todos os dias, os especialistas aconselham a meditar duas vezes por dia, vinte minutos pela manhã, e vinte minutos à noite claro que depende muito da rotina diária do praticante, e de descobrir qual é o melhor horário para esta prática. Não tem certo, nem errado. A única coisa certa é que não pode haver violência do “eu” para com o “eu”. Por exemplo, se é um sofrimento meditar pela manhã, não o faça; descubra qual é o melhor horário para você.

Há muitas pesquisas nessa área. A meditação é usada, por exemplo, em pacientes com doença crônica, e se vê uma melhora no quadro. A revista Saúde é Vital abordou um estudo que foi publicado no American Jornal of Cardiology que mostrou que a meditação diminuiu em 49% as mortes por câncer, 30% as decorrentes de problemas cardiovasculares e em 23% as doenças causadas por causas gerais. Os meditadores pesquisados meditavam duas vezes ao dia, todos os dias por vinte minutos.

Na prática da meditação, mas alguns cuidados devem ser tomados, por exemplo, entrar e sair da concentração lentamente, não violentar o seu corpo, exigindo ficar muito tempo em determinada postura e não se cobrar.

Pois com afirma De Nuccio: “meditar é estar consciente, amorosa e serenamente consciente.”

Referências Bibliográficas

CARDOSO, R. A origem e a história da meditação. 3 de fevereiro de 2009. Disponível em: http://www.redepsi.com.br/portal/modules/soapbox/article.php?articleID=513. Acesso em: 29 de julho de 2010.

DANUCALOV; SIMÕES. 2006. Disponível em: http://www.apanat.org.br/site/meditacao.  Acesso em 29 de julho de 2010.

DE NUCCIO, A. Curso intensivo de meditação as oito técnicas fundamentais.

HERMÓGENES, J. Yoga para nervosos aprenda a administrar seu estresse.44.ed.Rio de Janeiro: Nova Era.

RAMACHARACA. Raja Yoga Lições sobre o desenvolvimento mental. São Paulo: Editora Pensamento. 61p. a 77p.

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pesquisa sobre o Karma

Por Cássia Mesquita

1. OBJETIVO DO TRABALHO

Meu objetivo com este trabalho é me aprofundar no tema KARMA de forma a desmistificar a conotação punitiva e manipulativa que fica associada à minha mente sempre que esse tema é mencionado. Sua idéia me provoca uma associação à manipulação de comportamento pelo medo de punição, ou um mal karma. Parece-me uma ferramenta de manipulação, comando e controle. No mundo de hoje, onde os métodos de manipulação do outro são tão abundantes, onde tanto se aproveita da boa fé das pessoas com a maior falta de cerimônia, sinto que preciso de mais informações para esclarecer esse assunto e desmistificá-lo.

Entenda-se que, ao optar por fazer este curso, minha intenção era adquirir conhecimento aprofundado alternativo ao catolicismo, religião que carrego com restrições severas desde pequena. O fato de questionar os ensinamentos que estão sendo passados durante as aulas do CIFAY, não quer dizer, de forma alguma, que tenha dúvidas sobre o conteúdo e intenções desse Instituto, ou de seus mestres. Trata-se apenas da minha maneira de absorver o aprendizado.

Não tenho dificuldade nenhuma para entender e aceitar o karma como uma lei física, de causa e efeito, pois compreendo e acredito na dinâmica sistêmica do universo. Mas sinto que preciso ir além desse conhecimento básico e remover minha ignorância sobre o assunto, para dar um passo adiante na minha evolução e no melhor entendimento desse recurso que serve de apoio a tantas religiões.

Fui apresentada ao conceito do karma por religiosos espíritas e, por falta de tempo para me aprofundar na ocasião, num primeiro momento associei ao conceito de consequências a más ações. Já experiente com a figura do pecado do catolicismo, algo de antemão me indispôs contra a idéia, fazendo-me decidir mudar os caminhos de minha busca.

Escolhi esse tema para o primeiro trabalho exatamente porque tenho sentido que essa minha resistência tem atrapalhado o aproveitamento de outras informações que estão chegando. Preciso baixar a guarda, me abrir para novos conhecimentos, desocupar espaço mal aproveitado com conceitos equivocados. Por isso, busquei um livro que adquiri há mais de dez anos e que ficou rodando nas estantes de casa todo esse tempo sem ser lido. Alguma razão para não ter me desfeito dele até hoje existe. Só descobri agora.

 

2. A PESQUISA NA INTERNET E LITERATURA DISPONÍVEL

Antes de tudo, pesquisei a internet e li diversos sites, entre eles:

Site: acessoaoinsight.net (Budismo Theravada) – Kamma nos Ensinamentos do Budade um único capítulo do livro Buddhadhamma, escrito pelo Venerável P. A. Payutto

Logo aprendi que o Karma “é um ensinamento não tanto para ser acreditado, mas compreendido e visto em operação.”

“O Budismo é uma religião que coloca a sabedoria, ao invés da fé, em primeiro lugar. A investigação inteligente e honesta não só é bem recebida como também encorajada. Parte dessa investigação requer uma boa compreensão daquilo que conduz à maneira como causa e efeito funcionam no nível pessoal. Esse é o domínio da ética ou moral e é o domínio específico de kamma. Quais os critérios que existem para o comportamento correto e incorreto? Como conceitos, essas palavras dão margem a uma extensa série de interpretações, mas no estudo de kamma estamos preocupados em encontrar definições que sejam práticas e sólidas. Essas definições precisam não só apontar uma direção clara para a conduta moral, mas também oferecer as razões e incentivos para mantê-la. O ensinamento de kamma satisfaz essas exigências….”

Site: budismo

Kamma ou Karma é a palavra para “ato” ou “ação”, e nesse sentido usa-se a palavra em textos mais antigos para ilustrar a importância de desenvolver atitudes e intenções corretas. Considera-se que por gerar carma os seres encontram-se presos ao “Samsara”, e portanto a última meta da prática budista é extinguir o carma.

Site: esotéricos

Costumam falar em karma no sentido de “conjunto de deméritos acumulados” e em “Dharma” como “conjunto de méritos acumulados” (portanto o contrário de karma). Essa terminologia não é consistente com o uso tradicional das religiões orientais, principalmente porque Dharma significa ensinamento ou verdade em vez de mérito ou virtude.

Site: estadodebuda.com.br, que nada acrescentou ao que já havia sido lido.

Tudo aquilo que para mim “parece ameaçar” a livre escolha, me assusta. Mais um motivo para buscar respostas, inclusive para investigar mais de perto o livre arbítrio e seus desdobramentos, para verificar se não estou lidando, de novo, com ideias pré-concebidas.

Me faz pensar no texto abaixo extraído do livro Estúdios sobre la Psicologia de la Yoga, de I.K. Taimni, encontrado no site da sociedade teosófica:

Se há livre-arbítrio no indivíduo e no curso da evolução humana, coletiva e individual, é devido à interação da Vontade Divina com a vontade individual. Mas, em que lei se fundamenta esta interação? É evidente que nas etapas iniciais a lei que governa a evolução humana, permitindo que o indivíduo exerça seu livre-arbítrio, é a lei do Karma em seu aspecto mais amplo. O homem é um ser espiritual, e um ser espiritual pode desenvolver suas potencialidades divinas não pela imposição de um código de conduta exterior, mas aprendendo a fazer o que é justo e estando de acordo com a Vontade Divina por livre escolha, porque vê que isso promove o bem de todos, inclusive dele mesmo. O individuo, ao contemplar a própria natureza do Universo como uma expressão da Ideação Divina apoiada na Vontade Divina, deduz que a meta suprema da evolução e o despertar de sua natureza espiritual dependem de que ele viva e atue em perfeita harmonia com a Vontade Divina. Esta dedução o leva a corresponder-se com o Plano Divino, de maneira harmoniosa e perfeita, para cumprir bem seu próprio destino.

…Aqueles que entenderam bem a doutrina do Karma sabem que o homem aprende a agir bem, não por compulsão externa, mas por decisão interna. Quando pratica o mal tem experiências dolorosas que relaciona com o mal feito. Quando faz algo de bom recebe a recompensa em forma de experiências gratificantes e felizes. Assim, associa naturalmente o que é bom com o prazer e a felicidade, e o que é mau, com a dor e a infelicidade e, de maneira lenta, mas incontidamente, evita fazer o mal praticando sempre o bem, ainda que isto lhe cause dificuldades temporais. É certo que pode tomar-lhe centenas de vidas aprender a levar uma existência justa e ter fé cega na retidão; mas é tal a natureza desta Lei que terá de assimilar esta lição cedo ou tarde. E somente quando a tiver aprendido em plenitude e estiver firmemente estabelecido na retidão, estará preparado para embarcar na viagem da própria descoberta. A retidão é a base indispensável da vida espiritual.

…Isto nos leva à pergunta: “Como determinar o que é ação justa dentro do jogo das circunstâncias, ação que esteja em harmonia com a Vontade Divina ou Rta?” O homem ignora, no início de sua evolução, que existe uma Lei Divina e que só o viver em perfeita harmonia com essa Lei é que pode assegurar-lhe plenitude e verdadeira felicidade. Assim, vive de acordo com os ditames de seus desejos, resignado a colher os frutos doces e amargos que o Karma possa trazer como resultado. Como a má ação lhe acarreta dor e a boa, prazer, vai aprendendo a evitar a má ação e a evitar as tendências que o levam a fazer o mal. Deste modo, sua mente vai se libertando da carga de más tendências, o que aumenta sua cota de felicidade e permite, além disso, que a luz de Buddhi (intuição) se infiltre gradualmente em sua mente. Como fruto deste despertar de Viveka (discernimento) ele começa a perceber a natureza ilusória da vida nos planos inferiores e a futilidade em continuar aliado a interesses mundanos, de poder ou prazer temporais. Começa a intuir que até os prazeres e gozos da existência post-mortem serão temporais e ilusórios, e o manterão atado à roda de nascimentos e mortes com todas as suas limitações, ilusões e misérias.

…Gradualmente desperta em sua mente a compreensão de que existe um estado no campo da Realidade, acima do prazer e da dor. E assim nasce em seu coração o ideal de alcançar aquela consciência espiritual pela qual toma conhecimento de sua natureza divina, que está além das limitações e ilusões da vida inferior…

Mas, a leitura que realmente esclareceu objetivamente e com grande simplicidade minhas dúvidas foi mesmo o livro de Annie Besant, Um Estudo Sobre o Karma, adquirido por mim há mais de 10 anos e jogado de lá para cá, sem ser lido, latente em minha consciência. Todas a situações em azul deste ponto em diante são citações desse livro:

O conhecimento do karma afasta o pensamento e o desejo do homem do âmbito dos acontecimentos arbitrários, levando-os para a região da lei, colocando assim o futuro do homem sob seu próprio controle, a partir da extensão do seu conhecimento.

O estudante deve aprender a observar o karma como lei universal da natureza, e entender também que, ao considerar a natureza como um todo, só poderá conquistá-la e dominá-la obedecendo às suas leis (A natureza é conquistada pela obediência).

O karma é lei – lei eterna, imutável, invariável, inviolável, lei que jamais pode ser rompida e que faz parte integrante da natureza das coisas…

O karma não é mais “sagrado” do que qualquer outra lei natural: todas as leis da natureza são expressões da natureza divina, e nós vivemos e nos movemos dentro delas…

Quando as compreendemos (as leis) podemos manipulá-las, e, se nossa inteligência evoluir, nos tornaremos cada vez mais seus senhores, até que o homem venha a se tornar um super-homem, e a natureza material passe a ser sua servidora…

Por causa dessa ignorância, os ouvintes transformaram essas manifestações em ordens arbitrárias de um legislador divino, enviadas através dele, em vez de considerá-las simples declarações de fatos concernentes à sucessão de fenômenos morais em uma área tão organizada como a física…

Essas poucas frases foram mais do que suficientes para que eu conseguisse olhar para a LEI DO KARMA, com outros olhos, e compreendesse a dinâmica sem penalidades, mas apenas de condições subsequentes, em linha com a visão sistêmica do mundo. Fica desfeita a visão de que as punições ficariam a critério de um julgador divino, pois nunca achei que a natureza divina tivesse essa função, daí minha resistência a aceitar o conceito do karma.

Enquanto cada qual estiver relacionado com a matéria, encarnado em matéria, estará sujeito à lei kármica. Um ser pode escapar ou transcender a um ou outro de seus aspectos, mas não pode, enquanto permanecer em manifestação, eximir-se dessa lei…

Essa Lei Universal de Causação junta, num só todo, tudo o que acontece dentro de uma manifestação, pois ela representa o inter-relacionamento universal. O inter-relacionamento universal entre tudo o que existe – isto é karma. Portanto, coexiste, simultaneamente, com vir à existência de qualquer universo especial. Assim, o karma é eterno, como o EU Universal. Esse inter-relacionamento sempre existiu. Jamais teve início, jamais terá fim…

Uma lei da natureza é uma sequência invariável. Se você não gostar dos resultados, mude as condições precedentes. Se continuar a ignorá-las, estará sem defesa, à mercê das forças impetuosas da natureza; se as conhecer, será o mestre, e essas forças irão servi-lo obedientemente. Toda lei da natureza é uma força que nos torna capazes e não nos constrange; mas o conhecimento é necessário para que se possa fazer uso de seus poderes…

A partir desse ponto no livro, ela começa a falar sobre liberdade, e essa liberdade não é irrestrita, ela existe apenas naquilo que não contradiga quaisquer das leis naturais. Esse fator era também um grande equívoco para mim, pois sempre “sonhei” com uma liberdade irrestrita, sem fronteiras, sem limitações. Para se conseguir o que se quer é preciso não se esquecer de realizar as condições exigidas pela lei. Interessante, mas representa uma condicional de restrição e isso me causa certa frustração. Não que não possa conviver com isso e aprender uma nova maneira de ver as coisas e de agir. Uma questão de mudança de hábito somente.

…”O hábito é uma segunda natureza”, diz o provérbio, e o pensamento cria hábitos. Onde existe a Lei nenhuma realização é impossível, e o karma é a garantia da evolução do homem rumo à perfeição mental e moral…

Importante também o desmistificar do sistema de recompensas humano versus o sistema kármico.

Os resultados kármicos só podem ser da mesma natureza das suas causas. Eles não são arbitrários, como as recompensas humanas…

A partir desse ponto, ela começa a versar sobre o domínio do pensamento e como somos capazes de criar pelo pensamento.

Você elaborou no passado o caráter com que nasceu; agora você está elaborando o caráter com que irá morrer, e com o qual voltará. Isso é o karma. Cada qual nasce com um caráter, e o caráter é a parte mais importante do karma…

Toda a teoria da meditação está apoiada sobre essas leis do pensamento, pois meditação nada mais é que o pensamento deliberado e persistente dirigido a um alvo específico, sendo, assim, uma poderosa causa kármica…

E sobre a minha ignorância anterior:

Esse é o espírito que o estudante do karma precisa adquirir; ele deve aceitar o inevitável sem queixas, mas, sem descanso, procurar os métodos através dos quais lhe seja garantida a obtenção da sua meta, seguro de que sua única limitação é a sua ignorância e de que o conhecimento perfeito deve significar o perfeito poder…

Ela detalha karma coletivo, familiar, nacional, calamidades nacionais….. e finaliza o livro:

Os conhecedores do karma podem trabalhar deliberadamente e conscienciosamente, seguros do seu terreno, seguros dos seus métodos, confiando na Boa Lei. Assim, eles se tornam cooperadores conscientes da Vontade Divina que trabalha pela evolução, e ficam repletos de profunda paz e de alegria infinita.

3. CONCLUSÃO FINAL

Bem, concluindo, achei que eu precisava dessa imersão. Li o livro e praticamente o reli para transcrevê-lo nesse trabalho. Ainda não sei como aplicar esse conhecimento, mas, como diz a própria Annie Besant, “o pensamento cria hábitos”.

Sei que há muito ainda para compreender sobre o assunto, mas entendo que este tenha sido um bom começo. O assunto é amplo e pretendo prosseguir minha pesquisa para conhecer a dinâmica da mente e como controlá-la, talvez ampliando para o tema meditação, não antes de conhecer mais detalhadamente as minúcias da Lei do Karma.

Um dos sinais de que minha pesquisa não pode parar por aqui é que assisti uma reportagem sobre um caçador de nazistas da segunda guerra, Efrain Zuroff, que passa a vida à procura de nazistas para colocá-los perante os tribunais. Ele é judeu e seu argumento é que o tempo não diminui a culpa. Apesar de ter lido o livro inteiro sobre o karma, e passado pelos capítulos específicos de causas e efeitos, não consegui interpretar ou colocar em prática os conhecimentos nesse caso específico. Fiquei confusa: Afinal, este homem está fazendo o bem? Ele está criando karma bom ou mal? Para quem? Ele mesmo? A coletividade? O mundo? Essa culpa que não diminui é de quem, afinal? Não fui capaz de concluir.

É preciso continuar estudando e aprendendo!

 

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Hipercifose x Ásanas

Por Erika Martins Mello

Introdução

Decidi falar sobre este tema por 2 motivos; primeiro por ter convívio diário com esta alteração postural e saber da importância e incidência gradual e segundo por encontrar na pratica do Yoga (ásanas) que trabalham muito efetivamente neste caso.

Irei então discorrer sobre esta alteração postural, vulgarmente chamada de corcundez e definida como o aumento anormal da curvatura torácica (região dorsal), este aumento promove alterações anatômicas ocasionando:

– Déficit respiratório (por reduzir a capacidade de sustentação da coluna vertebral e também a diminuição da expansibilidade torácica).

– Hiperlordose cervical, onde a cabeça e projetada a frente; esta alteração também ira influenciar no tensionamento do ligamento da ATM (articulação temporo-mandibular) causando entre outros desconfortos dor orofacial.

– Toda hipercifose de um modo geral tem sua lordose compensadora cervical e lombar para dessa forma poder manter a sustentação do corpo mesmo que descompensada.

– Quando a cifose localiza-se na região toraco lombar encontramos uma retificação da lordose lombar contribuindo para a redução da mobilidade desta região.

-Sempre quando há um aumento de uma curvatura  ocorre o achatamento do outro lado contrario e neste ínterim esta o disco intervertebral que sendo pressionado poderá deslocar-se.

Esta alteração também me desperta interesse por ser cada vez mais comum em adolescentes seja por maus hábitos ao sentar, andar, estudar, etc., seja como forma de esconder-se para não ser destaque perante seus colegas da mesma idade ou por timidez. Meninas com mamas muito grandes adotam esta postura cifótica com o objetivo de esconder-se; no entanto se estes adolescentes não receberem uma orientação a tempo e adequada a cifose que inicialmente é postural pode torna-se estrutural acarretando as alterações que citei acima e muitas outras.

Abaixo poderemos verificar algumas posturas que trabalham com muita eficácia nesta importante alteração postural.

Todas estas posturas irão trabalhar os seguintes músculos, sendo que alguns serão alongados e outros fortalecidos:

– Reto Abdominais, Paravertebrais, Deltóide Anterior, Peitoral, Porção Longa do Bíceps Braquial, Trapézio, Romboides (maior e menor), Grande Dorsal, Inter-Costais entre outros.

USTRÁSANA-CAMELO
A postura do camelo e um ásana ajoelhado com uma forte flexão posterior.

TÉCNICA DE EXECUÇÃO
Ajoelhar com as pernas juntas e sentar sobre os calcanhares com as mãos nas coxas inicialmente, inspirar não profundamente deixando os pulmões meio vazios; elevar o corpo e curvar a coluna num movimento posterior, exercendo pressão dos músculos das costas, encostar as mãos nos pés, a cabeça completamente para trás. Contrair as nádegas e estender a região dorsal; respirar suavemente pelo abdome, tornando a inspiração mais prolongada do que a expiração.

Para desfazer a postura, soltar as mãos dos pés, mantendo a coluna reta; sentar-se sobre os calcanhares e relaxar.

VAJRÁSANA- DIAMANTE
É um ásana sentado sobre as pernas dobradas. E uma posição importante no Yoga, porque dela partem muitas outras posturas, e oferece toda a possibilidade de praticar ritmos com toda técnica respiratória, incluindo Pranayama.

TÉCNICA DE EXECUÇÃO
Sentar sobre os calcanhares; os pés em flexão no solo; as costas retas; queixo reentrado; nuca estirada; as duas mãos repousando sobre a base das coxas.

DANDÁSANA – BASTÃO
A postura do bastão faz parte do grupo das sentadas com estiramento de grande intensidade e constitui preparação para muitas outras posturas.

TÉCNICA DE EXECUÇÃO
Sentar-se no solo com as pernas estendidas e juntas.O tronco bem ereto. As mãos, com os dedos entrelaçados pousadas sobre as coxas. Numa inspiração, elevar os braços; o queixo em Jalandhara – Bandha; olhos fechados. Manter-se na posição por alguns segundos com os pulmões cheios de ar. Voltar a posição inicial soltando o ar.

UTKATÁSANA – CADEIRA
É um ásana em pe, e o seu movimento e idêntico ao de sentar-se numa cadeira imaginaria.   Pode chamá-la também de postura de cócoras.

TÉCNICA DE EXECUÇÃO
Em tadasana, pernas e pés juntos, elevar os braços numa inspiração, alongar o corpo e descer lentamente, dobrando os joelhos, soltando o ar e imaginar-se sentando-se numa cadeira. Esta e a primeira fase da postura, na segunda fase, continuar descendo o corpo lentamente, ate ficar bem dobrado, sentando-se sobre os calcanhares.

GOMUKHÁSANA – CABEÇA DE VACA

TÉCNICA DE EXECUÇÃO
As pernas são dobradas uma por cima da outra, tendo as solas dos pés viradas para cima. O corpo deve ficar erecto. Numa inspiração, levantar o braço esquerdo na vertical, dobrando o cotovelo para trás, nas costas. O braço direito também e dobrado para baixo ate encaixar os dedos das duas mãos. Neste momento, soltar o ar. Manter-se na postura respirando com ritmo. Como o movimento dos braços e difícil à maioria das pessoas, recomendam-se trabalhos de alongamento da cintura escapular e o uso de suportes.

Nos casos de assimetria causada pela escoliose ou mesmo endurecimento dos ombros, e preciso antes da execução deste ásana fazer um aquecimento, alongando toda região que será trabalhada.

CAKRAVAKASANA – RODA
É conhecida pela postura da roda pelo trabalho de coluna, ou do gato, pelo seu  movimento. É um ásana de joelhos em flexão posterior da coluna, apoiando as mãos, face anterior das pernas, e o peito do pe no chão. Ao levantar uma das pernas, torna-se assimétrica.

TÉCNICA DE EXECUÇÃO
Ajoelhar-se apoiando as duas mãos no chão, com os dedos dirigidos para frente, as pernas e os pés em extensão.

São dois movimentos distintos na expiração e na inspiração.

Inicia-se com a expiração. A medida em que se solta o ar, a lombar vai se elevando e arredondando, os braços esticam e a cabeça abaixa contra a parte superior do peito. Observar retração do abdome, que afunda.

Inspirando, levantando a cabeça, levando-a para trás, afundando a coluna o máximo, na região lombar no movimento em que os rins afundam, as escapulas se encontram, ativando a massa muscular da nuca e das escapulas; os braços ficam ligeiramente dobrados; manter os pulmões cheios por alguns segundos. Ao soltar o ar, iniciar-se o movimento o movimento inverso.

É um trabalho suave, equilibrando a expiração e a inspiração. Se forem bem dosados estes movimentos, provocar-se-á um aquecimento agradável na região dorsal.

Há uma variante desta postura.

No momento em que se inspira, erguer-se uma perna e, na expiração, traz-se esta mesma perna dobrada de contra peito, tentando encostá-la na cabeça abaixada. É um movimento contínuo, dinâmico sem deixar a perna pousar no chão, em alguns movimentos.

SHALABHASANA – GAFANHOTO
A postura do gafanhoto faz parte das posturas deitadas sobre o ventre com flexão posterior. Ela constitui um excelente teste para medir vitalidade e a resistência do praticante.

TÉCNICA DE EXECUÇÃO
Deitar sobre o ventre, testa no chão, os braços ao longo do corpo, as palmas das mãos apoiadas no solo, participando do apoio do corpo.

Numa inspiração, elevar as pernas juntas e estiradas o mais alto possível, tirando todo o abdome do chão. Manter os olhos fechados. O queixo no chão, assim como o peito e as mãos, servindo de sustentação para os membros inferiores e bacia. Manter-se na posição com os pulmões vazios de ar. Inspirar e durante uma expiração, descer e soltar todo o corpo; executar algumas vezes.

Nesta postura não e aconselhável relaxar o ventre no chão e a cabeça virada, como em algumas posturas. O esforço considerável produzido pela massa muscular da parte anterior do corpo torna-se necessário e importante, deixar a cabeça numa posição simétrica, além da liberação da parte anterior da caixa torácica e do diafragma, objetivando a recuperação de respiração. Esta postura pede uma contra-postura, como a Apanasana, praticada dinâmica ou estaticamente, que exerce uma ação compensatória na parte inferior das costas.

Esta postura pode, também, ser executada elevando-se a cabeça do chão, o movimento torna-se mais suave.

DHANURÁSANA – ARCO
A postura do arco pertence ao grupo das deitadas sobre o ventre com movimento de flexão posterior.

TÉCNICA DE EXECUÇÃO
Decúbito ventral, queixo no chão, os braços ao longo do corpo. Numa inspiração, dobrar os joelhos e segurar os tornozelos ou peito dos pés, soltando o ar. Novamente, inspirar; e, na expiração, elevar as pernas levando a cabeça para trás. Os braços e as mãos funcionam como uma corda, trazendo o corpo todo em tensão.

O abdome, o púbis e a bacia permanecem no solo, formando o suporte da postura; na sua fase final, os joelhos e os tornozelos se juntam.

Manter-se na posição respirando com ritmo, colocando a respiração no abdome.

Ao desfazer a postura, soltar devagar os pés, descer as pernas, estendendo-as e manter a cabeça ao nível do solo.

A respiração, neste momento, torna-se mais acelerada pela forte extensão do abdome; e um fato normal.

Manter-se relaxado ate sentir-se em condição de executá-la outra vez.

MARICHYÁSANA

TÉCNICA DE EXECUÇÃO
Sentar-se no solo com as duas pernas estendidas. Dobrar o joelho esquerdo colocando a planta do pe no chão; o calcanhar encosta-se ao períneo. Projetar o ombro para frente com um pequeno flexionamento do quadril. Passar o braço esquerdo pela frente do joelho, juntando as mãos atrás do corpo; elevar um pouco o tronco, mantendo a perna direita estendida no chão. Numa expiração, girar o corpo para trás do lado da perna dobrada; a torção e feita com a coluna reta. Ficar algum tempo na posição, respirando suavemente pelo abdome.

Para desfazer a postura, soltar as mãos, voltar o tronco a posição inicial, descer a perna elevada. Repetir o mesmo movimento para o outro lado.

URDHAVA MUKHA SVANÁSANA – Cão
A posição do cão com a boca para cima faz parte do grupo de posturas deitadas sobre o ventre.

TÉCNICA DE EXECUÇÃO
Deitar no solo sobre o ventre; as palmas das mãos ao lado da cintura com os dedos dos pés dobrados.

Numa inspiração, elevar a cabeça e o tronco, estendendo os braços, levando a cabeça para trás, formando um arco com a parte superior do corpo; os joelhos saem ligeiramente do chão. O corpo todo fica descansando sobre as mãos e as pontas dos pés dobrados. O tórax e levado para frente (como peito de pombo).

Ficar na posição alguns segundos com uma respiração profunda. Para desfazer a postura, dobrar os cotovelos, suspender as contrações do corpo e descer relaxadamente.

ADHO – MUKHA SVANÁSANA – Cão boca para baixo
A postura do cão com a cabeça para baixo, pertence ao grupo dos movimentos deitados.

TÉCNICA DE EXECUÇÃO
Deitar-se no solo de bruços; os pés ligeiramente separados; as mãos colocadas ao lado do tórax com os dedos em direção da cabeça.

Numa expiração, elevar o corpo mantendo os braços estendidos, a cabeça entre eles, tentando encostá-lo no solo; as plantas dos pés bem colocadas no chão.

Ficar na postura alguns segundos. Para desfazê-la, descer os braços e o corpo, por ultimo a cabeça.

PASCHIMOTTANÁSANA – Pinça
E uma postura sentada com movimento anterior do corpo, a parte posterior sofre um esforço intenso, desde a cabeça até os pés.

Esta postura é também conhecida como da pinça, pela maneira como o corpo se dobra.

TÉCNICA DE EXECUÇÃO
Sentar-se no solo com as pernas bem esticadas, coluna reta, sem tensão, as mãos ao lado das coxas.

Numa inspiração, elevar os braços na vertical. Inclinar o quadril ligeiramente para frente e, descendo o corpo na expiração, segurar os dedos grandes dos pés. Se puder, encostar a cabeça nos joelhos.

Os movimentos devem ser suaves, sem forçar o corpo a um trabalho que ele não possa responder.

Ficar na posição alguns segundos, respirando com ritmo e colocando a respiração na parte alta do peito, o que dificulta a inspiração e favorece a expiração.

À proporção que a lombar e o quadril vão se alongando e tornando mais flexíveis, pode-se modificar a posição das mãos, segurando a sola dos pés. Cada conquista do corpo deve ser feita sem agressões, apenas com paciência e persistência.

VRKÁSANA – Árvore
A postura da arvore é um movimento de equilíbrio em pé.

TÉCNICA DE EXECUÇÃO
Em Tadásana, dobra-se uma perna e coloca-se lateralmente acima do joelho.

Inspirando, elevam-se os braços com as mãos juntas. Manter-se na posição alguns segundos, com a respiração presa. Na expiração, descer os braços e a perna dobrada. Executar o mesmo movimento para o outro lado.
A posição dos braços assim como das pernas pode variar.

O que observar nesta postura:

  • o estiramento total da coluna;
  • encolher o ventre;
  • contração das nádegas;
  • estiramento dos músculos das coxas para cima.

Esta postura pode ser executada em três etapas:
– Iniciar com o pé na altura do joelho, mais tarde na altura das coxas, encostando o calcanhar perto do períneo e finalmente, levando o pena altura da virilha com a sola voltada para cima.

TRIKONÁSANA – Triângulo
A postura do triângulo estendido apresenta-se de duas maneiras:

A primeira é um triangulo lateral, sem torção e a segunda com torção.

TÉCNICA DE EXECUÇÃO
Em pé com as pernas separados aproximadamente 4 palmos os braços abertos e estendidos a altura dos ombros numa inspiração, fazer uma torção e um flexionamento lateral do corpo até a mão encostar o chão; o outro braço fica elevado. Este movimento se faz soltando o ar. A cabeça vira para olhar a mão que fica estendida para cima.

O que se deve observar nesta postura:
Não dobrar os joelhos nem levantar a planta dos pés no chão, os braços e a cabeça devem ficar sem tensão, retornar a posição inicial lentamente e inspirando. Esta postura melhora a respiração pela abertura torácica, apresenta uma ação importante em nível de fígado pela compressão e descompressão deste órgão; acalma o sistema nervoso, ativa os movimentos peristálticos do intestino, previne deformidades da coluna sendo uma terapia de apoio para estes casos.

DANDÁSANA – Bastão
A postura do bastão faz um estiramento de grande intensidade e constitui preparação para muitas outras posturas.

TÉCNICA DE EXECUÇÃO
Sente-se no solo com as pernas estendidas e juntas, confirme que está sentado sobre os ísquios, o tronco bem alinhado, as mãos com os dedos entrelaçados pousadas sobre a coxa. Numa inspiração elevar os braços, manter-se na posição por alguns segundos com os pulmões cheios de ar. Voltar à posição inicial soltando o ar. Esta postura exerce um trabalho articular importante na extensão de toda a coluna, pernas e braços.

Com base na minha vivência no tratamento das correções posturais e através do estudo e a prática do Yoga (ásanas), posso afirmar que estas posturas são extremamente benéficas para o trabalho de correção da alteração de hipercifose .

REFERÊNCIA BIBLIOGRAFICA

Fernandes, Nilda YOGA TERAPIA: o caminho da saúde física e mental.
2 ed- São Paulo.

Kendall, Elizabeth MÚSCULOS provas e funções.
4 ed.

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O Caminho para o Real

Por Samir Daher

“A fantasia é o reino intermediário que se inseriu
entre a vida segundo o princípio de prazer e a
vida segundo o princípio de realidade.”
(Sigmund Freud)

Um fato curioso chamou minha atenção quando pensava em um tema para este artigo: uma amiga, que estava desempregada há algum tempo, conseguira uma recolocação em sua área de trabalho, estava feliz por estar novamente empregada, porém preocupava-se. Indaguei sobre a causa de sua preocupação, a que me respondeu que fizera a promessa de rezar mil Ave-Marias caso conseguisse um emprego. Preocupava-se em como iria conseguir cumprir a promessa. Curioso, perguntei para quem ela iria rezar, e ela disse prontamente: “Para Deus!”. Mesmo sendo criado em um ambiente católico, imaginei se Deus realmente fez surgir a vaga de emprego em troca de mil Ave-Marias…

Não questiono a fé e a crença de ninguém, mas fiquei pensando em como dirigimos orações a seres abstratos, como Deus. Acredito que a existência do universo e todos seus fenômenos visíveis dependem de seus meios ativos e de suas leis de ação e reação, mas não de orações.

Creio que a fé verdadeira surge da crença baseada no conhecimento oriundo da evidência; evidência, que por sua vez, concretiza-se através dos sentidos físicos e dos sentidos espirituais, isto é, por meio da observação e compreensão da inteligência corporal e espiritual.

Através dos tempos, diversos filósofos tentaram penetrar e compreender a essência desta fé verdadeira, porém a maioria fracassou em seu intento, exceto os que tinham uma base para executá-lo, os sábios orientais. Qual era a base destes sábios? O Yoga.

A palavra yoga provém da raiz sânscrita yuj, a qual confere o sentido de união. O objetivo do yoga é gerar equilíbrio entre corpo, mente e espírito. Este equilíbrio é atingido quando se consegue aquietar a mente, mantendo-a em estado de harmonia independente dos acontecimentos externos.

No yoga a mente é comparada a um rio que flui por dois caminhos, um começa na ignorância e termina na reencarnação, o outro caminho começa na concentração e termina na libertação; a concentração proporciona meios para o homem evoluir e a libertação é atingida através de práticas de renúncia.

Acreditamos que devemos correr atrás da felicidade, achamos que os outros são responsáveis por nossa felicidade. Não percebemos que tudo isso é uma projeção que fazemos. Segundo a filosofia budista, felicidade e sofrimento são estados mentais.

“É unicamente pelo pensamento que você se ilude, que passa pela experiência do nascimento e da morte, que fica preso ao mundo e se liberta dele…Sua situação presente foi projetada pelos seus próprios pensamentos. Se acreditar que está separado do Absoluto, estará de fato separado. Se pensar que é Brama, assim será. Você se limita com seus pensamentos.”  (Sivananda 2009)

Mas como nos limitamos? Como nossa própria capacidade criadora nos impede a realizar nossos intentos?

Há pensamentos e desejos que nos impelem a sermos pessoas melhores; se não tenho desejo de conhecimento como posso evoluir?  Entretanto não é todo pensamento nem todo desejo que nos tornam pessoas melhores, nosso conflito surge quando depositamos nossa felicidade em algo externo, e quando nosso intento não se realiza, ficamos angustiados e deprimidos, culpando outras pessoas, o destino, nos considerando sem sorte.

Retornando à indagação, exemplifico com a antiga afirmação de que a imagem substituiria a escrita; desde a existência da televisão, afirma-se que o número de leitores diminui, à medida que aumenta o de espectadores;  independentemente do número de leitores aumentar ou diminuir, estamos nos tornando espectadores de quase tudo que nos rodeia.

O homem é um animal simbólico, imagético, sempre esteve em busca de símbolos para entender o mundo, porém os símbolos mudam a cada época. A imagem que fazemos do mundo nos impede de ver além, não conseguimos mais transcender a visão dessa imagem. Apegamos-nos de tal forma a essa realidade inventada que, quando profanada, confrontando-a com a verdadeira realidade, nossa mente entra em conflito.

Se houver um problema, devemos primeiramente procurar sua causa. O verdadeiro problema surge na ignorância da causa. Trabalhando-a, as dificuldades diminuem ou tornam-se esporádicas.

“O mundo é uma grande escola onde são dadas amplas oportunidades às pessoas para consertar seus erros e melhorarem como indivíduos. Ninguém nasce perfeito. Existem possibilidades para todos se aperfeiçoarem. Os problemas e as dificuldades deveriam nos tornar criaturas melhores e não criar complexos e restringir a mente e o coração. Refugie-se em pensamentos grandes e nobres e atinja a perfeição.” (Sivananda 2009)

Essas imagens, essas fantasias que criamos sem nos darmos conta, existem para nos proteger de algo, nesse caso, da realidade imediata, um modo de escaparmos do real, refugiando-se no imaginário. Esse imaginário em que nos refugiamos, nos mantém na ignorância. Podemos nos curar unicamente pelo conhecimento da realidade. O Yoga pode ser um dos caminhos.

Fontes:

Filho, José Hermógenes de Andrade. Autoperfeição com Hatha Yoga. Rio de Janeiro: Nova Era, 2008.

Nasio, J.-D. A fantasia: o prazer de ler Lacan. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2007.

Sivananda, Swami. O Poder do Pensamento pela Ioga. São Paulo: Editora Pensamento-Cultrix, 2009.

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